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23 de dezembro de 2010


Eu quero, eu posso, eu consigo (será ?)


Eu não tinha nenhum preconceito com livros de auto-ajuda, mas também nunca tinha lido um. Não que eu não quisesse me auto-ajudar, mas já fiz terapia, sempre leio meu horóscopo, já deu, né? Acontece que, há alguns dias, fui à casa de uma amiga que estava mega empolgada com um livro desses. Não lembro o nome, mas era algo na linha "Encontre sua estrela interior". Bom. Ela só sabia falar que a estrela dela era isso, que a estrela dela era aquilo, e aí resolvi dar uma folheada no livro para ver qual era, afinal de contas, essa sabedoria estrelar.


Logo nas primeiras páginas, fiquei irritada com a quantidade de regras do livro. Parecia minha mãe, quando eu tinha cinco anos (não que ela tenha mudado muito de lá pra cá). Fiquei meio com antipatia, sabe? Mas beleza, continuei lendo. O autor tinha todo um sistema de normas que eu não sabia de onde vinham, mas ok, também não entendo astrologia e leio meu horóscopo (aliás, acho essa minha flexibilidade tão libriana!). O que me incomodou mesmo foi essa coisa de "eu quero, eu posso, eu consigo!" Parece que todo mundo que usa a tal da estrela interior tem que ter auto-estima, entendendo que pode e consegue tudo, e que, se não puder/conseguir, é porque está faltando pensamento positivo e tal. Pera lá. Que cobrança é essa? E desde quando pensamento positivo virou solução para tudo?


Eu não sei/posso tudo. Na verdade, sem querer pagar de humilde nem nada, estou bem longe disso. Além de não poder voar nem respirar embaixo d´água, não consigo fazer várias contas de cabeça ou passar numa prova sem estudar – e, mesmo que eu estude, pode ser que no fim eu acabe não passando, ué. Não posso ser mais bonita que a Gisele Bündchen, não consegui evitar alguns pés na bunda ao longo da vida… Mas e daí?


Eu não sei muito bem o que é felicidade, mas nunca achei que é feliz quem pode e consegue fazer tudo (aliás, essa pessoa mágica teria que viver num tempo infinito, para conseguir fazer tudo! Se bem que ok, ela é mágica. Continuando). Quanto ao pensamento positivo, realmente ele é incrível, mas calma lá, né? Se você se esforçar e pensar positivamente, ainda assim pode se frustrar em algumas situações (porque seu esforço não bastou, porque não era para ser, sei lá por quê). Pra terminar, acho que essa coisa de poder tudo tem mais a ver com auto-ilusão do que auto-estima. Posso muito bem me amar tendo consciência dos meus limites, não? Amo minha irmã, e ela é tão limitada! Ok, brincadeira. Não sei você, mas sinto um alívio danado quando penso que não tenho a menor obrigação de acertar sempre.


Fechei o livro desanimada com minha estrela interior. Não vou dizer que nunca mais folhearei nenhum livro de auto-ajuda, mas, esses que partem do pressuposto de que temos que nos achar o máximo para gostarmos de nós mesmos e conseguirmos o que queremos, dispenso. Deve ser bem frustrante esbarrar em algum obstáculo quando você se acha a rainha da cocada preta, para usar uma expressão da minha tia Rosa. E, como você já deve ter recebido, vira e mexe a gente se esbarra em algum obstáculo: eu, você e nossas estrelas interiores. E tudo bem se, nessa hora, a gente chorar e perceber que não somos perfeitos, nem nós nem a vida. Quem disse que não há beleza na imperfeição?

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6 de dezembro de 2010


Por que não devemos discutir pelo MSN


Tenho um loongo histórico de discussões no MSN. O caso é que eu achava dinâmico discutir pelo computador; não sei por que. Brigar sem ninguém ouvir ? Carregar uma briga portátil, que pode acontecer no trabalho ou na sala de informática da escola ? Sei lá, só sei que, ao poucos fui percebendo como é estressante brigar pelo MSN. Hoje eu comemoro um mês, sem cair nessa tentação, e é essa vitoria que eu quero compartilhar com vocês. Ok, menos! Não sei quanto tempo faz, mas vou tentar convencê-los de que, pelo seu bem estar mental, o melhor é fugir disso.


Sem querer pagar de historiadora nem nada, meu argumento começa na pré-história. As pessoas não escreviam, só falavam. A fala é muito mais instantânea do que a escrita: você fala, o outro ouve e, puf!, as palavras somem no ar. Bom, chega de pré-história. O tempo foi passando e o pessoal começou a escrever. Mas tem uma coisa: a escrita não é como a fala. A palavra escrita ganha força: o que é escrito é feito pra durar, para ser... lido. E, quando agente escreve, agente reflete, apaga, reescreve, pensa e alias, parece bem mais inteligente por que tudo já foi pensado, organizado e talz. Isso se você escreve minimamente bem né. Se você escreve minimamente bem, e seu texto ainda é revisado, então você pode parecer um gênio! Aliás, meu blog é revisado. Bom, brincadeiras a parte: já a fala lembremos, acontece ali, na hora, com você corrigindo em tempo real.


Até ai, nenhuma novidade. Quando estamos no calor de uma briga, pessoalmente ou por telefone, sabemos que a fala é meio caótica. Tanto que as brigas costumam ser cheias de "Opa, não foi isso que eu quis dizer". Como você não gravou o que seu namorado disse (espero que não,né?! Sua louca!), você não vai se lembrar exatamente oque ele falou. As palavras acabam ali, com o fim da conversa, e sobram apenas recordações (que lindo!). É provável que você esqueça algumas partes e fique apenas com o resumo, mesmo. Na hora de contar a briga, vai ter um monte de " Ele falou mais ou menos isso", " Não lembro se foi antes ou depois de dizer aquilo" etc.


É ai que entra a esquizofrenia das brigas pelo MSN. Por um lado, é texto escrito. Por outro lado, não tem a reflexão da escrita, mas a velocidade da fala: a pessoa escreve enquanto vai pensando, como se estivesse falando. Resultado: aquilo que veio rápido, espontâneo sem reflexão, é lido, relido, armazenado, analizado, mandado por e-mail para as amigas, discutido. O que era pra ser momentâneo dura! Cada linha que seu namorado faloscreveu (ai, péssimo eu sei!) ganha uma dimensão muito maior e a briga fica muito mais estressante.


Fica a dica: não discuta o relacionamento nem brigue pelo MSN. Deixe isso para o telefone, ou melhor ainda pessoalmente, com direito a olhares e beijos! Ou, então, escreva uma carta /um e-mail, mas aproveite as vantagens da escrita: leia e releia antes de mandar. Melhor ainda: depois de reler, vá fazer outra coisa, deixando o texto em banho-maria antes de mandar. Mas pelo amor de Deus, não vai perguntar o que ele achou pelo MSN, hein ?

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21 de novembro de 2010


Faz de conta que não dói


"Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas agüenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. (Fernando Pessoa escreveu, num momento parecido, "hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu") Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta: as dores da vida. Pense assim: agora ta insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já são dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menores do que duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já ta lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: "É melhor viver do que ser feliz". Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva pancada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Ta vendo a felicidade ali na frente? Não, você não ta vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Ta vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto, quando é pra ser... Não tem jeito, acredite… Vai passar. "

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7 de novembro de 2010


Essa nossa mania de felicidade

Quem disse que as coisas prescisão estar incriveis o tempo todo ? Tem coisas que começa a ser espalhada e pega. A gente não sabe bem quem começou, mas quando nos damos conta, já estamos comprando a ideia. E algumas ideias fazem um estrago danado! Bom, sem mais enrolação: o que quero falar aqui é dessa nescessidade de ser feliz. Muito feliz. O tempo todo. Afinal, a vida é uma festa, podemos tudo o que queremos e prescisamos aproveitar cada minuto ao máximo, certo ? Bom, não sei se é certo. O que sei é que é uma pressão danada, isso sim. Quem disse que prescisamos ser felizes o tempo todo? Veja bem, não quero dizer que legal meso seria se a gente vivesse cabisbaixo. É muito mais gostoso se sentir bem do que se sentir mal, da mesma forma que, sei lá, chocolate ao leite é mais gostoso que chocolate branco (ok, não é da mesma forma). O problema é que como você já deve ter percebido, não dá pra ser feliz sempre. Na verdade até meu priminho de 2 anos já percebeu - não é atoa que ele vive chorando. E aí a ideia do primeiro paragrafo, de que legal mesmo é ser feliz a toda hora, acaba se transformando numa tan, tan, ta, taaan... Numa armadilha. Seja lá o que você entenda por felicidade, ela prescisa de momentos de não felicidade pra ser o que é. Como diz minha mãe: se não fosse o azul, oque seria do amarelo ? Se sabemos que a alegria é tão gostosa de ser sentida, é porque já experimentamos momentos de tristeza também. Ou simplesmente o tédio. E é por isso que quando a alegria vem, podemos ficar tão loucos por ela que queremos que ela esteja com agente a cada instante. Mas, como o meu priminho de 2 anos já percebeu, ela é uma coisa que vem e vai. Não quero soar pessimista, mas não acredito num vale encantado chamado felicidade, que depois de alcançado fica com agente para sempre. Mesmo que você considere ( eu gosto de considerar) Felicidade um estado interno, que nem sempre coincide com o que ocorre fora de nós - tipo, podemos nos sentir felizes mesmo se as coisas não estão do jeito que agente quer-, nosso estado interno varia muito. Aliás o mundo seria bem repetitivo se olhássemos para ele sempre com o mesmo olhar não acha ? Mesmo o melhor dos trabalhos tem dias chatos. Um relacionamento ótimo pode ter dias de dúvidas ou marasmo. Podemos nos sentir feias, não prescisamos estar afim de beijar nossos namorados sempre e podemos ter preguiça dos nossos amigos ás vezes... E tudo bem! Quem acreditou na história do primeiro paragrafo, de que a gente só não pode como tem que ser feliz o tempo todo, pode ficar meio decepcionado nessas horas. É por isso que eu acho que, abrir espaço para a tristeza e para os momentos mais ou menos da nossa vida é libertador. Em vez de achar que tem alguma coisa errada quando não estamos alegres, pode ser maravilhoso aceitar de braços abertos essa não-alegria e aproveitar para pensar um pouco na vida, experimentar coisas de um outro jeito, fazer poesia (filosofias) ou, sei lá, não fazer nada! O que importa é: parar de nos recriminar porque não estamos sendo bem sucedidas nesse projeto maluco de ser feliz o tempo todo. Até porque esse projeto, pelo visto, pode trazer mais tristeza do que alegria!
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Navegar é presciso.

Imagine se tivese que passar um mês num lugar distante e primitivo, onde Internet e celular fossem coisa de ficção cientifica. Você aguentaria viver totalmente desplugada ? Difícil né ? Eu tenho até arrepios só de pensar! Mas, nos ultimos dias, fiquei imaginando que muita gente seria mais feliz se não tivesse tanta tecnologia por perto. Tem garotas por exemplo, que usam o Orkut só para xeretar os recados que as outras pessoas deixam para o namorado ou ficante. E, claro, um belo dia acaba achando algo suspeito. Muitas vezes, é por causa de um mal entendido muito bobo que o romance que tinha tudo pra dar certo acaba em briga e choradeira dos dois lados. E eu pergunto; sem acesso ao perfil do namorado, a tragédia não seria evitada ? Siiim! Tem também as que usam a Internet para fazer trabalhos da escola. Mas, em vez de ler com atenção oque estão pesquisando, simplismente copia e cola, entregando a folha assinada com o nome delas, sem nem saber direito de onde vieram aquelas informações. E ai acabam tirando nota baixa por quê a professora que não nasceu ontem, percebe a mancada Se essas garotas tivessem ido até a biblioteca para pegar um livro , não teriam dormido sem pagar esse mico na frente dos amigos do colégio ? Siiim! Então, antes que você me ache mais louca do que eu realmente sou, vou explicando logo onde quero chegar citando esses (maus) exemplos de uso da Internet. Claro que eu não penso em convencer você a deixar o computador de lado - oque seria uma idiotice completa eu sei. É lógico que a Internet facilita a vida, não só na hora de pesquizar, como também para se divertir e se relacionar. O que eu quero mesmo, neste texto, é convidar você a pensar sobre como anda usando está tecnologia toda. Para o seu bem ? Mesmo ? Porque computador e celular podem ajudar a gente a viver melhor. Ou pior. Tem muita coisa legal na rede, mas também tem muito lixo. Da mesma forma, tem gente com quem vale a pena fazer amizades virtuai, assim como, tem muito mané que está ali para tirar proveito, para brincar com as emoções dos outros e até para cometer crimes - é, isso não contece só na casa da vizinha, da prima, da irmã ou da avó. E cabe a cada um de nós escolher oque vamos deixar entrar na nossa vida. As ferramentas que nos dão privacidade existem exatamente pra isso: você tem o direito de decidir quem vai ver suas fotos no Orkut e quem vai adicionar no MSN. Prestar atenção nesses detalhes pode ser uma maneira de se proteger e até de ser mais feliz. Na rede e fora dela. Além de tentar não se expor, talvez seja legal pensar duas -ou três ou quatro - vezes antes de se declarar no Orkut ou mesmo deixar aquela fofoquinha por lá. Será que aquela pessoa não vai mesmo aceitar seu depoimento com aquela informação que é segredo de estado ? E quem garante que o menino com quem está falando no MSN não cpoia todas as páginas e mostra aos amigos ? Eu mesmo já me surpreendi vendo as minhas conversas gravadas e abertas para quem quisesse ler, no Orkut de outra pessoa. Depois dessa, aprendi a falar menos bobagem na rede. O que agente escreve, já era, fica gravado. Por isso vale ficar esperta! Não sei oque você pensa dessa história toda, mas gostaria muito de saber. Então deixe seu comentário. ( ;
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