8 de maio de 2011
Esse tchururu aqui dentro bate meio assim :
22 de abril de 2011
15 de janeiro de 2011
Sobre ela ...
Naly era uma menina interessante. Ela gostava de contos de fadas. Onde o bem sempre vencia no final. E onde a princesa sempre vivia feliz e com quem amava. Seu pai costumava chamá-la de "minha princezinha". E de fato ela o era. E como tal, passava dia após dia vivendo um monólogo, onde ela era a princesa e também o príncipe. Ela imaginava cada detalhe do encontro perfeito, da conversa perfeita, da dança perfeita, do beijo perfeito. Ela acreditava tanto naquele mundo encantado que, alguns instantes antes de cair na imensidão dos sonhos, via a fadinha que tinha na mesa de cabeceira piscar-lhe um olho, como que se prometesse que seu desejo seria realizado. E como para Naly cada dia era um dia especial, ela colocava perfeitamente sua maquiagem, aquela que destacava seu olhar delicado, mas decidido. Colocava a roupa que mais mostrasse seu estado de espírito do dia. Ela ia para escola todo dia, esperando que ele a encontrasse. Sim, mas ele quem? Ela não sabia. Mas ela sabia que quando ele viesse ela o reconheceria. E de fato quando ele apareceu, ela instantaneamente o reconheceu. Ela lhe deu seu melhor sorriso, e quando ele retribuiu ela sentiu as tão esperadas borboletas no estômago. Mas na hora da saída, enquanto ela imaginava ele vindo em sua direção e dizendo o "olá" mais importante da sua vida. Ela o viu com outra garota, aos beijos. E enquanto uma lágrima morria entre seus lábios a esperança pintou-lhe os olhos novamente, porque ela sabia que um conto de fadas não era trilhado em um caminho reto, um conto de fadas sempre tinha espaço para a reviravolta no terceiro ato.
E como toda princesa, ela teria seu conto de fadas.
10 de dezembro de 2010
Proucura-se a verdade
Uma amiga minha tem certeza de que está sempre certa. Do conselho para alguém que acabou de terminar um namoro às melhores estratégias para ir bem numa prova: ela tem a chave de tudo. Ou acha que tem, né. Enfim. Outro dia, começamos uma dessas discussões que a gente sabe que não vai levar a lugar nenhum, mas dá o sangue nela (certo, exagerei). Ela, claro, tinha certeza de que estava com a razão, e eu, bem, er… eu também. Discussão vai, discussão vem, e eu me lembrei da placa do cachorro.
Calma, vou explicar. Um dia, eu estava andando serelepe pela rua, quando vi um poste com um desses avisos assim: "Dona desesperada procura seu cachorro, cor tal, nome tal etc". Não sei por quê, logo imaginei que louco seria encontrar uma placa assim: "Dona desesperada procura a verdade, tamanho tal, sobre tal assunto etc". Aí eu mesma ri da minha divagação idiota (tenho várias, ok? Assumo!). Idiota por dois motivos. Primeiro, porque é idiota e pronto. Segundo, porque a verdade não tem dono, né? É muito triste quando a gente percebe isso, mas fazer o quê? Também odeio que chocolate engorde e que chova nos finais de semana, mas as calorias e a chuva estão aí.
É claro que, quando a gente percebe isso (que a verdade não tem dono, caso você não esteja prestando atenção), é normal pensarmos logo em seguida: "Bem, então é a festa da uva! Todas as opiniões são válidas, uhu!" Que dez da manhã é o melhor horário para comer abacate, que namoros devem durar 78 dias, que Deus existe e tem formato de girassol e que todas as pessoas que comem cereal de manhã são volúveis: tudo estaria no mesmo saco. Bom, não é beeem assim, né. Você já deve ter reparado que as opiniões não vêm do nada: tem coisas que as fundamentam.
Um agricultor vai dar um parecer melhor do que eu sobre, sei lá, plantar tomates, e quem se informa terá mais argumentos sobre as eleições do que quem não sabe o que está acontecendo. São opiniões mais bem fundamentadas, digamos, embora isso não signifique que estejam certas. Mas, para complicar um pouco, acontece de as opiniões serem bem fundamentadas para uns, mas não para outros, já que eles usam critérios diferentes para definir qual fundamento vale: o agricultor argumenta usando a técnica, um religioso fala que o melhor é aliar a técnica à oração, uma astróloga garante que não nasce nada enquanto Júpiter permanecer retrógado e um incrédulo diz que não existem tomates e tudo é uma ilusão. Ai, ai! Assim caminha a humanidade: todos brigando pela tal posse da verdade.
Voltando à minha amiga: no fim, não concordamos em tudo, mas chegamos a várias conclusões em comum. Como critério, escolhemos demonstrar racionalmente nossos argumentos: um fala, o outro rebate e assim vai por algumas horas. Que bom seria se fosse simples assim com a humanidade também, né? Mas não dá. São muitas pessoas e muitas opiniões, além de critérios, culturas e crenças diferentes. Quer dizer, isso é o que eu acho. Minha amiga tem certeza de que o mundo só vai levar mais algumas horas, ou melhor, alguns séculos, até tudo melhorar. Aliás, era sobre isso nossa discussão. O que você acha?
6 de dezembro de 2010
A sorte está lançada
Muita gente acha que, se a gente se esforçar, consegue tudo o que quer e mais alguma coisa. E se a gente não consegue? Bem, então não estamos nos esforçando, dã. Para essa turma, a fé move montanhas, querer é poder, a esperança é a última que morre e blá-blá-blá. Quem não realiza seus sonhos é um preguiçoso e os infelizes são infelizes porque cavaram sua própria sepultura. Beleza. Acho até dinâmico pensar assim – embora sem exagero e sem simplificar tanto as coisas. Mas o ponto é: no meio de tanta auto-suficiência, onde foi parar o trevo de quatro folhas?
Não sei se você tem ou já teve um. Eu, quando era criança, não só tinha como acreditava que ele me trazia uma sorte danada. Levava comigo também um pé de coelho, que ganhei numa festa junina – aquele sim, trazia toda a sorte do mundo! Menos para o coelho, é claro. Eu também acreditava em cristais, e em não deixar um gato preto passar na minha frente, e em não passar debaixo da escada etc. Tudo com o mesmo propósito: chamar a sorte. Com ela ao meu lado, seria mais fácil conseguir tudo o que eu queria! No caso, "tudo o que eu queria" devia se resumir a mais roupinhas para minha Barbie, mas ok, respeite os sonhos alheios!
Bem, fui crescendo e ouvindo por todos os lados que essa história de sorte era uma bobagem e que, se eu quisesse algo, precisava fazer acontecer. Todo o meu arsenal sortudo ficou no fundo do armário, junto com meus papéis de carta (ai, eu adorava! Tinha de todas as cores e com todos os desenhos. Saudade! Enfim, continuando). Se dar bem não era mais sinônimo de sorte, mas de mérito, e fracassar não era azar, mas incompetência. Foi como se o mundo tivesse colocado uma mochila de uma tonelada nas minhas costas. E eu ainda tinha a mochila da escola para carregar!
Acontece que, um dia, numa feirinha, vi uma banca de cristais. Estava lá uma ametista roxinha, igual a uma que eu tinha quando criança. Tão fofa! Comprei. Para quem não sabe, parece que essa pedra é tipo a rainha das pedras e neutraliza energias negativas. Na boa, eu não consigo neutralizar energias sozinha. Comprei a pedra. Não fiz contas para medir o aumento de energia positiva na minha vida, até porque não sei fazer essa conta, mas eu e ela nos damos superbem. E quer saber? Vou providenciar um trevo de quatro folhas também. Não vou procurar num jardim, é claro (já tentou? Eu tentei por anos!), mas comprar numa feirinha. Estou até pensando em doar meu gato preto. Ok, zoando: não tenho um gato preto.
Fica a pergunta: será que nosso sucesso ou fracasso só depende de nós mesmos? A sorte não precisa ter a forma de um gnomo, um anjo ou sei lá o quê, e vai saber se ela curte uma pedra mesmo, mas talvez ela exista e deixe as coisas um pouco mais fáceis. Quem sabe ela não ajuda a gente a estar na hora certa no lugar certo, e arruma os acontecimentos de forma a ocorrerem da melhor maneira? Aliás, já pensou se os tais acontecimentos já estão ordenados e a gente nem sabe? Se estivesse tudo escrito nas estrelas, o mérito podia até perder um pouco a graça, mas o fracasso ficaria levinho… Afinal, não foi culpa nossa! Será?
Sei não. Na dúvida, dou o melhor de mim. E não largo mais minha ametista.
21 de novembro de 2010
Reciclagem ^^
Hoje eu estava arrumando meu quarto e separando algumas coisas das quais já não utilizo mais - e algumas que nunca utilizei -. Aquelas roupas que já não servem mais coloquei em um saco. Organizei os livros empoeirados da estante, deixando de canto aqueles que eu não gosto tanto assim, aqueles que de tanto ler conheço parágrafo por parágrafo, e aqueles que a cada leitura, eu encontrava um significado diferente, e que hoje em dia, já não me diz mais nada. Coloquei-os dentro de um saco também. Peguei as três caixas que ficavam em cima do guarda-roupa cheias de CDs, olhei um por um - o que me fez lembrar de quando criança, limpava todos, e guardava em ordem alfabética -, organizei-os e separei aqueles que de tão escutados se tornaram monótonos, e aqueles que de tão velhos, acumulam manchas e milhares de riscos. Esses, joguei fora. Os outros coloquei também em um saco. Peguei as duas caixas de sapato com as minhas tranqueiras. Papel de bala, papel de bombom, entrada de cinema, flyer de show, cartas – da Wendy, algumas tão amassadas e antigas que torna ilegível algumas palavras -, bilhetes, brinquedos de Kinder Ovo, uma coleção de lacres coloridos, uma coleção de maços de cigarro, caixinha de fósforo, isqueiros, desenhos, correntes, pulseiras, anéis, medalhas, fotos, chaveiros, mais CDs, pingentes, embalagem de Tic Tac, amostras de perfume, adesivos, e tantas, mas tantas outras coisas, que eu não sei como consigo guardar somente em duas caixas. E depois de mais de uma hora olhando cada lembrança, guardei tudo, sem pegar sequer um dos papéis de bala pra jogar fora.
Agora, um pensamento me invade a cabeça. Mais ou menos assim: Acredito que arrumar a bagunça da vida, seja como arrumar o próprio quarto. A gente tira tudo pra fora, lembranças, sapatos, vontades, roupas, desejos, livros, e assim por diante e separa o que não nos acrescenta mais. A gente abre mão das roupas que quase nunca foram utilizadas e só ocupam espaço, das histórias carimbadas nos livros, pra que outras pessoas possam se alimentar daquelas palavras, dos CDs pra que outras pessoas possam aproveitar cada tom de voz. Nos livramos da poeira acumulada dos objetos velhos, e abrimos espaço pra que novas coisas possam preencher o vazio.
A vida, - assim como o quarto -, por mais que a gente jogue fora algumas coisas, sempre resta algo que não abrimos mão. Sendo assim: as lembranças. Igual aquelas duas caixas de "tranqueira" que eu havia falado. Que agora, ocupam um espaço no fundo do armário, e que ficarão ali pro resto da minha vida, ou até que eu troque de guarda roupa, - risos -.
18 de novembro de 2010
Mudanças -.-
, na época isso me parecia ser uma grande coisa). E agora me encontro aqui, não com 12 ou 13, mas beirando os meus 16 e eu realmente não sou nem um pouco gigante, não posso fazer exatamente tudo oque eu quero - nem um terço, pra ser mais exata - e de sexo, drogas e rock and roll a minha adolescencia não tem nada. Não que eu esteja interessada exatamente nisto agora, mas é assim que eu imaginei que seria, tirando a parte de "sexo e drogas" é claro. Naquela época eu nem sabia pra que isso servia, depois de um tempo eu descobri. Meus problemas e medos de agora, são muito maiores do que os de antes, mas eu descobri que não são nada comparados aos que virão. E que me esconder debaixo da cama, não os farão ir embora. E se eu não tiver com vontade de ir para a escola? Bom, chorar em frente ao portão só me fará parecer ridícula e a minha mãe não me trará de volta no colo, mas eu posso inventar que estou com cólica mestrual, ao menos isso. Eu uso maquiagem mas mudei de idéia quanto a ser ruiva, definitivamente não tem nada haver comigo. Raramente uso salto, agora eu sinceramente prefiro havaianas.




